
Neste ano o time mais querido do Brasil e com a maior torcida do mundo sagrou-se hexacampeão nacional de futebol, o esporte mais popular do mundo.
Toda esta festa, consagração e movimentação fazem com que algumas coisas comecem vir à tona.
Qual o verdadeiro motivo que leva uma pessoa a torcer para um time?
Paixão? Amor? O gosto pelo esporte?
O futebol virou apenas mais um meio de auto-afirmação.
A pessoa transfere para o time que torce a responsabilidade de assumir uma determinada postura: a de vitória.
No time pelo qual torce a pessoa se vê.
Ela precisa que o time seja vencedor, para que suas derrotas pessoais sejam superficialmente esquecidas, tanto por ela como pelos outros e quando isso não ocorre, vem a frustração, violência, raiva, ira e tudo o mais que represente a insatisfação.
A transferência do dever ser faz com que o torcedor personalize um clube de futebol como sua própria extensão de identidade. O time é ele, se o time é vencedor, ele é vencedor, se o time perde, ele se sente perdedor.
Nas vitórias do time é que o torcedor se impõe sobre o outro e nas derrotas o outro se impõe sobre ele.
O torcedor do time que perdeu se sente perdedor e o medo de não ter algo positivo a mostrar gera a ira, raiva e angústia e, como grandes torcidas formam grandes egrégoras, acaba que o coletivo acaba formando uma grande bomba vibracional, que uma hora pode explodir e descabar em atos negativos.
Da mesma forma, quando o time vence, o torcedor se sente mais feliz, vitorioso, como se o mundo estivesse em suas mãos e como se fosse realmente um deus criador dos céus e da Terra; até esquece que isto não impedirá que as contas venham fim do mês.
Na realidade, tudo isso é pura ilusão, a realidade é o que é, cada um é o que é.
Uma pessoa não é a roupa que veste e também não é o time que torce.
Se o time vencer e for campeão, isto não torna a pessoa vencedora, da mesma forma que se o time perder, isto não a tornará perdedora.
Transferir o interno ao externo é um grande erro.

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