Seja qual for o continente que tenham vivido, em que cultura ou em que era, os humanos sempre se reuniram à noite - ao redor do fogo nas planícies africanas, nas cavernas das florestas eurasianas, sob o resplandente céu noturno da terra australiana, nas moradas da América do Norte - para contar as hitórias sagradas do Universo e do que é necessário para viver uma nobre vida humana.Digo que isso aconteceu em todas as culturas, mas, naturalmente, hoje não é bem assim. Nós, os humanos contemporâneos, não o fazemos. A humanidade moderna parece ser a primeira cultura a quebrar essa tradição primordial de celebrar os mistérios do Universo. O que pode significar o fato de termos abandonado algo que funcionou durante 300 mil anos?
A sociedade industrial moderna age de maneira diferente. Questões de grande significado são tratadas não em cavernas nem em planícies abertas, mas em igrejas, mosteiros e templos. Nesses locais, todos os fins de semana bilhões de humanos se reúnem para refletir sobre sua relação com o divino. Em todos esses milhões de cerimônias religiosas semanais, tão essenciais à saúde e à espiritualidade da humanidade como um todo, pode-se encontrar uma diversidade de comemorações religiosas, mas raramente se vê uma contemplação séria do Universo, onde, por "Universo", quero dizer simplesmente Universo das estrelas e do solo e dos anfíbios e dos mamíferos e dos insetos e dos rios e das terras úmidas.Assim temos o impasse comtemporâneo: por um lado, as religiões contemporâneas focalizam principalmente as relações dos humanos em si com o divino, deixando de lado as questões antigas de como penetrar no Universo, enquanto a ciência, por outro lado, embora focalize o Universo, ensina num Universo que não tem significado nem destino sagrado e evita falar do papel essencial que os humanos têm nele.
"Estamos conectados entre nós, biologicamente, à Terra quimicamente, e ao Universo atomicamente."Se nossas crianças fossem iniciadas no Universo por meio de tal cosmologia, uma cosmologia que considerasse o Universo sagrado, que mostrasse aos humanos um papel vasto e cósmico, que respeitasse os animais e outras formas de vida, seriam elas condenadas a crescer e a destruir a Terra, como tantos de nós fizemos?
"os animais são a fonte de sabedoria estelar dos humanos"

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