quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

...E TODO O UNIVERSO A NOSSO FAVOR

Seja qual for o continente que tenham vivido, em que cultura ou em que era, os humanos sempre se reuniram à noite - ao redor do fogo nas planícies africanas, nas cavernas das florestas eurasianas, sob o resplandente céu noturno da terra australiana, nas moradas da América do Norte - para contar as hitórias sagradas do Universo e do que é necessário para viver uma nobre vida humana.
Digo que isso aconteceu em todas as culturas, mas, naturalmente, hoje não é bem assim. Nós, os humanos contemporâneos, não o fazemos. A humanidade moderna parece ser a primeira cultura a quebrar essa tradição primordial de celebrar os mistérios do Universo. O que pode significar o fato de termos abandonado algo que funcionou durante 300 mil anos?A sociedade industrial moderna age de maneira diferente. Questões de grande significado são tratadas não em cavernas nem em planícies abertas, mas em igrejas, mosteiros e templos. Nesses locais, todos os fins de semana bilhões de humanos se reúnem para refletir sobre sua relação com o divino. Em todos esses milhões de cerimônias religiosas semanais, tão essenciais à saúde e à espiritualidade da humanidade como um todo, pode-se encontrar uma diversidade de comemorações religiosas, mas raramente se vê uma contemplação séria do Universo, onde, por "Universo", quero dizer simplesmente Universo das estrelas e do solo e dos anfíbios e dos mamíferos e dos insetos e dos rios e das terras úmidas.
Assim temos o impasse comtemporâneo: por um lado, as religiões contemporâneas focalizam principalmente as relações dos humanos em si com o divino, deixando de lado as questões antigas de como penetrar no Universo, enquanto a ciência, por outro lado, embora focalize o Universo, ensina num Universo que não tem significado nem destino sagrado e evita falar do papel essencial que os humanos têm nele."Estamos conectados entre nós, biologicamente, à Terra quimicamente, e ao Universo atomicamente."

Se nossas crianças fossem iniciadas no Universo por meio de tal cosmologia, uma cosmologia que considerasse o Universo sagrado, que mostrasse aos humanos um papel vasto e cósmico, que respeitasse os animais e outras formas de vida, seriam elas condenadas a crescer e a destruir a Terra, como tantos de nós fizemos?
"os animais são a fonte de sabedoria estelar dos humanos"

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