Vivemos numa época extraordinária. São tempos de mudanças espantosas na organização social, no bem-estar econômico, nos preceitos éticos e morais, nas perspectivas filosóficas e religiosa e no autoconhecimento humano, bem como na compreensão do vasto universo em que estamos inseridos como um grão de areia num oceano cósmico.

Se tivéssemos nascido há cinquenta anos, podíamos ter julgado, ponderado e até especulado sobre estes temas, mas nada mais podíamos ter feito. E, se nascêssemos daqui a cinquenta anos, creio que já saberíamos as respostas. A maioria dos nossos filhos irão aprender ainda antes de terem tido a ocasião de formular as perguntas.

A mais excitante, satisfatória e agradável altura para viver é, de longe, aquela em que passamos da ignorância ao conhecimento destas questões fundamentais: a era em que começamos por nos espantar e acabamos por compreender. Nos quatro mil milhões de anos de história que tem a vida deste planeta, nos quatro mil milhões de anos de história que tem a família humana, há uma geração apenas à qual foi dado o privilégio de viver através desse único momento transitório: essa geração é a nossa.

"Somos a personificação local de um Cosmos que cresceu
pelo autoconhecimento. Começamos a contemplar nossas origens:
material estelar meditando sobre estrelas; assembléias
organizadas de dezenas de bilhões de bilhões de bilhões de
átomos considerando a evolução dos átomos, traçando a longa
jornada através da qual, pelo menos aqui, a consciência surgiu.
Nossas lealdades são para com a espécie e com o planeta. Nós
respondemos pela Terra. Nossa obrigação quanto à sobrevivência
é devida não somente a nós mesmos, mas também a esse
Cosmos, antigo e vasto, do qual surgimos. "
Carl Sagan